A lei vale a partir de janeiro de 2027, e um único atraso no DAS pode custar o perdão. Veja o que muda no Prospera MEI e como garantir cada benefício.
O Prospera MEI é o pacote de medidas para microempreendedores individuais sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 21 de outubro de 2026.
A base legal é o Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 186/2026, que altera a Lei Complementar nº 123/2006, a lei do Simples Nacional.
As principais medidas são:
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Perdão das dívidas do MEI com a União vencidas até 13 de outubro de 2026;
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Teto de faturamento de R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028;
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Contratação de até dois empregados, em vez de um;
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Pix MEI, um apoio de até R$ 5 mil sem devolução;
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Desenrola 3.0 para dívidas com bancos;
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Mais espaço para o MEI nas compras públicas.
O perdão e o novo teto valem a partir de 1º de janeiro de 2027. Segundo o MEMP, o pacote pode beneficiar 17,6 milhões de MEIs, dos quais 7,8 milhões são mulheres.
O que muda com o Prospera MEI?
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A tabela resume as regras do Prospera MEI, com dados do Ministério do Empreendedorismo (MEMP) e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
| Regra | Antes | Com o Prospera MEI |
|---|---|---|
| Teto de faturamento anual | R$ 81 mil, sem reajuste desde 2018 | R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028 |
| Número de empregados | 1 | Até 2 |
| Dívidas com a União vencidas até 13/10/2026 | Cobradas com multa e juros | Perdoadas automaticamente |
| Apoio para investir no negócio | Não existia | Pix MEI de até R$ 5 mil (2027 a 2030) |
| Limite por serviço no Contrata+Brasil | R$ 13.098,41 | R$ 25 mil |
Como funciona o perdão de dívidas do MEI?
O perdão de dívidas do MEI é automático: o empreendedor não precisa fazer nenhum pedido.
A lei prevê a remissão integral (perdão total, concedido por lei) dos débitos federais do MEI vencidos até 13 de outubro de 2026, inscritos ou não na Dívida Ativa da União (PGFN, 2026).
O perdão cobre:
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O valor original das contribuições previdenciárias em atraso;
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Multas, juros e encargos de cobrança;
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Dívidas em cobrança na Justiça;
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O saldo que falta pagar de parcelamentos em andamento.
Os números oficiais:
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3,6 milhões de MEIs podem ser beneficiados (PGFN, 2026);
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R$ 12,57 bilhões é o total das dívidas de MEIs inscritas na Dívida Ativa, e quase 86% desse valor é considerado de difícil ou impossível recuperação (PGFN, 2026);
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R$ 3,4 mil é a dívida média por MEI (MEMP, 2026).
Na cerimônia de sanção, o presidente Lula justificou o perdão dizendo que se trata de “um dinheiro que a gente sabia que não ia receber”.
Qual é a condição para manter o perdão?
O MEI precisa pagar em dia as guias do DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional) que vencerem nos seis meses seguintes à entrada em vigor da lei. Na prática, são as guias com vencimento entre janeiro e junho de 2027.
Se atrasar uma dessas guias, o MEI perde o perdão e a dívida volta a ser cobrada (PGFN, 2026).
O que fica fora do perdão?
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Valores já pagos, que não serão devolvidos;
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Débitos que vencerem depois de 13 de outubro de 2026;
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Dívidas com bancos, que seguem para o Desenrola 3.0.
Quem discute a dívida na Justiça precisa desistir da ação para ter a baixa definitiva, sem pagar honorários advocatícios pela desistência.
Qual é o novo limite de faturamento do MEI?
O novo limite de faturamento do MEI é de R$ 110 mil por ano em 2027 e de R$ 140 mil por ano a partir de 2028. O teto atual, de R$ 81 mil, não era atualizado desde 2018 (MEMP, 2026).
Para quem abrir o MEI ao longo do ano, o limite é proporcional aos meses de atividade:
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R$ 9.166,67 por mês em 2027;
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R$ 11.666,67 por mês em 2028.
Segundo o Sebrae, o reajuste repõe a inflação acumulada desde 2018, de cerca de 70%.
Para Rodrigo Soares, presidente do Sebrae, com o teto atual “as pessoas deixam de crescer ou a empresa não escala como deveria”.
Empresas do Simples Nacional com faturamento dentro dos novos limites poderão voltar a ser MEI, conforme as regras da lei.
O teto de R$ 110 mil já vale em 2026?
Não. Em 2026, o limite continua sendo R$ 81 mil. Quem passar desse valor neste ano segue as regras atuais da Lei Complementar nº 123/2006:
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Excesso de até 20% (até R$ 97.200): o MEI vira microempresa em 1º de janeiro do ano seguinte e paga os tributos sobre o valor excedente;
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Excesso acima de 20%: o desenquadramento retroage a 1º de janeiro do ano em que o limite foi ultrapassado.
Se o seu faturamento de 2026 está perto de R$ 81 mil, converse com o contador antes de dezembro.
O MEI pode contratar dois funcionários?
Sim. O Prospera MEI permite contratar até dois empregados registrados, o dobro do limite atual (MEMP, 2026).
O Sebrae estima que a mudança pode gerar mais de 600 mil empregos formais se apenas 5% dos mais de 13 milhões de MEIs contratarem um segundo funcionário (Agência Sebrae, 2026).
Antes de contratar, calcule:
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O custo total do empregado: salário, FGTS, 13º, férias e contribuição previdenciária;
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As obrigações mensais no eSocial;
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O peso da folha de pagamento no caixa do negócio.
O que é o Pix MEI de R$ 5 mil?
O Pix MEI é um apoio de até R$ 5 mil, sem devolução, para o MEI investir no próprio negócio. O programa vai de 2027 a 2030 e terá até 1 milhão de beneficiários (MEMP, 2026).
O que já se sabe:
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O orçamento é de cerca de R$ 5 bilhões em quatro anos, segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti;
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Mulheres empreendedoras e MEIs com faturamento de até R$ 40,5 mil por ano terão prioridade (CNN Brasil, 2026);
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O dinheiro deve ser usado em bens que aumentem a produção, como equipamentos e ferramentas;
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O Sebrae vai apoiar a organização dos negócios beneficiados.
O ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, definiu o benefício como “um apoio direto do governo para aumentar a capacidade produtiva do microempreendedor”.
Atenção: as regras de inscrição ainda não foram publicadas. Nenhum órgão oficial cobra taxa para liberar o Pix MEI. Mensagens que pedem pagamento, senha ou cadastro fora do gov.br são golpe.
Como ficam as dívidas do MEI com bancos?
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As dívidas bancárias do MEI serão tratadas pelo Desenrola 3.0, e não pelo perdão da União.
A partir de novembro de 2026, o Ministério da Fazenda fará leilões para comprar cerca de R$ 6 bilhões dessas dívidas (CNN Brasil, 2026).
As regras previstas são:
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Os bancos precisam dar desconto mínimo de 90% sobre o saldo devedor;
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Quem oferecer o maior desconto tem prioridade na venda;
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A estimativa é beneficiar 1,6 milhão de MEIs inadimplentes.
O que muda na nota fiscal e nas compras públicas?
Um decreto assinado junto com a lei dispensa o MEI de emitir nota fiscal nas vendas e serviços para pessoas físicas. Nas vendas para empresas, a nota continua obrigatória.
Os nanoempreendedores, que faturam até R$ 40,5 mil por ano, ficam dispensados de abrir CNPJ e de emitir nota fiscal (MEMP, 2026).
Nas compras públicas:
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O limite por serviço no Contrata+Brasil, plataforma que conecta MEIs a órgãos públicos, sobe de R$ 13.098,41 para R$ 25 mil;
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O MEI passa a ter preferência em contratações públicas de até R$ 25 mil.
O perdão resolve o endividamento do MEI?
Não sozinho. O endividamento do MEI costuma ter 3 causas principais:
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Crédito caro ou inadequado;
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Falta de planejamento;
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Mistura entre as contas pessoais e as da empresa.
O perdão zera o passado, mas não corrige o que levou o MEI a atrasar o DAS. Sem mudar a gestão financeira do negócio, a dívida tende a voltar.
Como separar as contas pessoais das da empresa?
A regra básica é tratar o dinheiro do negócio e o da família como dois caixas diferentes, mesmo quando o MEI é o único dono.
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Faturamento não é lucro: do dinheiro que entra, saem fornecedores, DAS, despesas e a reposição de estoque.
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Defina uma retirada fixa: calcule o valor com base nos últimos três a seis meses, para que ele caiba também nos meses fracos.
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Guarde nos meses bons: a sobra de um mês forte cobre a queda de um mês fraco.
Exemplo ilustrativo: um MEI recebe R$ 7 mil no mês, tem R$ 4,5 mil em despesas e precisa guardar R$ 1 mil para o estoque do mês seguinte. A retirada pessoal possível é de R$ 1,5 mil, e não os R$ 7 mil que entraram na conta.
Quais são os sinais de que a dívida está saindo do controle?
O endividamento pode começar mesmo com as contas em dia. Os principais sinais de alerta são:
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Usar o cheque especial com frequência;
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Pagar só parte da fatura do cartão (entrar no rotativo);
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Fazer um empréstimo para pagar outro;
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Financiar toda compra de estoque.
Ao comparar empréstimos ou acordos, olhe o Custo Efetivo Total (CET), que soma juros, tarifas, impostos e seguros, e o valor total a pagar.
Parcela menor nem sempre é acordo mais barato: 10 parcelas de R$ 300 somam R$ 3.000, enquanto 20 parcelas de R$ 200 somam R$ 4.000.
O que o MEI deve fazer agora?
O MEI deve tomar seis providências ainda em 2026 para aproveitar o Prospera MEI sem riscos:
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Consulte suas dívidas no PGMEI, no Portal do Simples Nacional, e no Regularize, portal da PGFN.
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Pague o DAS de 2026 em dia, porque débitos vencidos depois de 13 de outubro não entram no perdão.
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Reserve dinheiro para o DAS de janeiro a junho de 2027, condição para manter o perdão.
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Acompanhe o faturamento, porque até 31 de dezembro o teto ainda é R$ 81 mil.
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Separe as contas da empresa e da família para não voltar a se endividar.
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Desconfie de quem cobra taxa para “liberar” perdão ou Pix MEI.
Perguntas frequentes sobre o Prospera MEI
Preciso pedir o perdão das dívidas do MEI?
Não. O perdão é automático para dívidas vencidas até 13 de outubro de 2026. Ele se torna definitivo para quem pagar o DAS em dia de janeiro a junho de 2027.
Quem já pagou a dívida recebe o dinheiro de volta?
Não. O perdão alcança só o saldo que ainda falta pagar. Valores já quitados não são devolvidos.
O novo teto do MEI já vale em 2026?
Não. O limite de R$ 110 mil vale a partir de 1º de janeiro de 2027. Em 2026, o teto continua sendo R$ 81 mil.
Todo MEI vai receber o Pix MEI de R$ 5 mil?
Não. O programa terá até 1 milhão de beneficiários entre 2027 e 2030, com prioridade para mulheres e MEIs que faturam até R$ 40,5 mil por ano. As regras de inscrição ainda serão publicadas.
O perdão inclui dívidas com bancos?
Não. O perdão vale só para débitos com a União. As dívidas bancárias serão tratadas no Desenrola 3.0, com desconto mínimo de 90%.
O perdão deixa o CNPJ do MEI regularizado?
Sim, em relação à União. Segundo a equipe econômica, o objetivo é encerrar as cobranças e permitir que o MEI volte a obter certidão negativa de débitos. Dívidas com bancos e fornecedores não são afetadas.
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